10/09/2007 14:45

Adiantada olímpica



E Rogério Ceni, o maior jogador da história do Tricolor do Morumbi e futuro presidente do clube – tomara! – pegou mais um pênalti adiantando-se claramente. É recorrente e já consagrado: diferenciado, competente, líder, Rogério parece inibir os árbitros, principalmente os mais novos. Eles têm medo de Rogério! O de Belo Horizonte, quarta-feira passada, até "avisou" o goleiro tricolor, segundos antes, que ele teria que se postar sobre a risca do gol até que houvesse o toque do cobrador na bola.

Não adiantou, nunca adianta, é instintivo: Rogério Ceni é cada vez mais o campeão mundial da adiantada, mesmo que o recorde atual esteja em poder do atleta Doni, vencedor da prova em "quinze quilômetros". Só que Doni pratica essa nova modalidade esportiva de vez em quando, Rogério Ceni é todo dia, é todo jogo, é o Pelé da adiantada, além do Pelé da liderança, da longevidade, da competência, da determinação e da sacanagem crônica já absorvida: ninguém o convoca para a seleção! Uma vergonha! Ignorando Rogério Ceni, a CBF e seus técnicos de plantão prestam um belo desserviço à criançada, que desde cedo aprende a má lição de que não basta ser o melhor, nesta ou naquela profissão, para se obter o destaque e o posicionamento merecidos.

Mas, adiantando-se tão recorrente e obcecadamente nas cobranças de pênalti contra si, Rogério Ceni também torna-se um mau professor ao fazer merchandising da "Lei de Gérson", aquela que prega a vantagem a qualquer custo! Só que aí existem outros dois culpados, ainda maiores: o árbitro e o bandeirinha que pipocam diante do carisma e da personalidade forte do goleiro são-paulino. Eles se travam e não conseguem ver que Rogério maltrata e ofende a regra, vestido e ajudado por agilidade, frieza, estudo detalhado do jeito de chutar dos cobradores e pela esperteza.

E pensar que nos primórdios do futebol na Inglaterra os goleiros, na hora da cobrança do pênalti, "ofereciam" a meta ao cobrador postando-se ao pé da trave, gol vazio, para que o time contrário, ofendido na regra do jogo, obtivesse justa compensação, hein? Bem, aí, à época, Papai Noel era infanto-juvenil e nunca imaginava que se tornaria o maior ídolo mundial e o nome mais conhecido do planeta ao lado de "OK" a palavra "okay".

Rogério Ceni nunca é "OK" quando se adianta no pênalti e nem quando levanta os braços em TODO gol que toma – apesar que não toma mais, não é? – mas ao lado de tanto recorde que quebra e institui, ele, nessa toada, entrará para a história como o criador de uma nova modalidade olímpica: a da competição mundial em adiantada, na hora do pênalti no futebol. Apesar da grande fase de Doni na matéria, Rogério Ceni, desde já, pelo conjunto geral da obra, é o grande favorito à medalha de ouro. Ou não?

enviada por Milton Neves






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